Patriota Nacional

A trajetória de Cabo Daciolo, candidato do Patriota à Presidência

Benevenuto Daciolo da Fonseca dos Santos é o candidato do Patriota à Presidência da República nas eleições de 2018. Nasceu em Florianópolis, em 30 de março de 1976. Tem, portanto, 42 anos. É filho de Manoel Fonseca dos Santos, coronel-aviador da reserva do Exército e procurador federal da Advocacia-Geral da União, e de Neuza Aparecida Daciolo dos Santos, dona de casa. Tem sete irmãos. Segundo o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Daciolo declarou não ter nenhum bem ao entrar na disputa presidencial.

O que fez até disputar a primeira eleição
Daciolo passou grande parte da vida na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo reportagem da revista Época, o deputado virou evangélico em 2004 por “beber demais” e “ser mulherengo”. No começo, frequentou a igreja Bola de Neve, denominação criada por um surfista em que os templos têm altares em forma de uma prancha. Depois, associou-se à Assembleia de Deus. Formado em turismo, Daciolo não seguiu carreira na área. Em 1998, decidiu entrar para o Corpo de Bombeiros, onde manteve a patente de sargento. Ele se projetou na política em 2011, quando liderou uma greve de bombeiros no Rio. Na época, a categoria reivindicava aumento salarial. Os bombeiros, que são parte da Polícia Militar, ficaram paralisados por cinco dias. Daciolo ficou nove dias preso sob acusação de ter cometido crime militar. Durante a greve, os bombeiros chegaram a pegar em armas e invadir um quartel da cidade. O cabo acabou expulso da corporação, mas foi anistiado pelo então governador do Rio, Sérgio Cabral, em 2013.

Os cargos públicos que ocupou até aqui

Em sua estreia em cargos eletivos, Daciolo venceu a eleição para deputado federal em 2014 e foi a Brasília. Durante o mandato, o parlamentar apresentou 56 projetos de lei, mas nenhum deles foi aprovado pelo plenário da Casa. Grande parte das propostas de Daciolo, que integrou a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara, diz respeito à defesa dos militares. Outra parte se refere à religião.

http://patriota51.org.br/wp-content/uploads/2018/08/9ago2018-cabo-daciolo-patriota-durante-o-debate-band-2018-com-os-candidatos-a-presidencia-da-republica-que-acontece-na-tv-bandeirantes-no-bairro-do-morumbi-em-sao-paulo-nesta-quinta-153387692-1.jpgO deputado propôs, por exemplo, que o estudo da Bíblia se torne uma disciplina obrigatória nos ensinos fundamental e médio no Brasil. Em 2016, apresentou uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para alterar o primeiro artigo da Constituição Federal, segundo o qual “todo o poder emana do povo”. A mudança sugerida pelo parlamentar seria para declarar que “todo o poder emana de Deus”. Em vários momentos que foi à tribuna da Câmara, Daciolo aproveitou para profetizar sua fé, muitas vezes com a Bíblia nas mãos. Em um desses episódios, leu um trecho do livro e disse que iria profetizar a “cura” da deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é cadeirante. O fervor religioso é acompanhado de um discurso que se diz anticomunista. O deputado já propôs a proibição da disseminação do que chama de ideologia de gênero nas escolas brasileiras.

“Querem implementar nas escolas, nos nossos jovens, a ideologia de gênero. Eu digo não à ideologia de gênero. Mas digo sim à família tradicional brasileira.” Cabo Daciolo candidato do Patriota à Presidência
O parlamentar é alvo de uma investigação no Supremo Tribunal Federal. Em 2017, ele foi acusado de peculato pelo Ministério Público Federal. As suspeitas são de que ele destinava parte do salário dos assessores de seu gabinete na Câmara para a Associação dos Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro e o Movimento S.O.S Bombeiros, ligados de 2011. Ele nega.

 Qual sua trajetória partidária
Daciolo já esteve em três partidos. São eles:

  • PSOL: (2014-2015)
  • PTdoB: (2016-2018)
  • Patriota: (2018 até hoje

A atuação de Daciolo na greve dos bombeiros em 2011 no Rio fez com que o PSOL o convidasse para se filiar ao partido em 2014 e a disputar um cargo público pela legenda nas eleições daquele ano. Mas a linha de atuação de Daciolo na Câmara motivou sua expulsão do partido em 2015. Posições como a de defender a intervenção militar no país e a proposta de alterar o Artigo 1º da Constituição Federal, para incluir a palavra Deus, foram a gota d’água para os líderes da legenda. O deputado voltou a se filiar a outro partido em abril de 2016. Era o PTdoB, que hoje leva o nome Avante. Em março de 2018, Daciolo disse em plenário que tinha vontade de disputar a Presidência. No mesmo mês, o Patriota, ex-PEN, ofereceu espaço para que ele concorresse ao cargo pela legenda. Daciolo foi o “plano B” do partido, que, antes, chegou a negociar com o tambpem deputado federal Jair Bolsonaro. O capitão da reserva, porém, acabou se filiando ao PSL, pelo qual também vai disputar a Presidência.

Onde está no espectro político 
Daciolo tem um discurso conservador mesclado com algumas teorias conspiratórias, como a de que “está provado” que as urnas eletrônicas brasileiras são fraudadas; ou que a esquerda brasileira tem planos concretos de transformar a América Latina numa grande república comunista. O deputado federal defende ideias contrárias ao estado laico. Ele  mira uma parte do eleitorado antissistema que hoje apoia Bolsonaro.

“Para o Bolsonaro, bandido bom é bandido morto. Para mim, bandido bom é bandido lavado e remido no sangue do Senhor Jesus”

O ponto fraco
A ESTRUTURA E O DISCURSO Daciolo terá pouca estrutura durante a campanha assim como pouco tempo de rádio e TV, pois é de um partido pequeno. O discurso extremado também limita a abrangência da candidatura.

Ponto forte
O MOMENTO POLÍTICO Apesar de limitador, o discurso extremado pode atrair votos antissistema num momento de descrença na política tradicional, mesmo que o apoio fique restrito a um nicho.

Quem é sua vice 
O Patriota tem como candidata a vice-presidente a pedagoga Suelene Balduino Nascimento. Há 23 anos, ela atua na rede pública de ensino do Distrito Federal.

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